A atividade apresentada foi desenvolvida por mim para o curso Formação Continuada de Professores em Tecnologias de Informação e Comunicação Acessíveis - no Módulo II – Introdução à Informática Acessível.
Observação: O nome da aluna é fictício.
Sugestão de Atividade realizada com a Ferramenta Falador.
1. Aluno: Perfil do aluno: Gabriela é aluna do terceiro ano do Ensino Fundamental com Síndrome de Down. Apresenta dificuldades na coordenação motora fina e global, dificuldades na área da linguagem (ampliação de vocabulário, pronúncia de frases e palavras, ecolalia. Dificuldades de apreensão de conceitos na área lógico-matemática: contagem termo a termo, conservação de número, realização de cálculos simples. Dificuldade de memorização. Está em processo de alfabetização (silábico sem valor sonoro). É uma criança alegre e simpática, com grande facilidade de interação com seus colegas e com adultos, o que auxilia muito seu processo de aprendizagem. Adaptou-se muito bem à escola. Gabriela recebe ainda estímulos por parte de sua família bem como acompanhamento clínico na Apae de nosso município.
2. Descrição da atividade planejada pelo professor: A proposta de trabalho feita para a aluna tem como objetivo a ampliação de sua capacidade de expressão oral e de seu vocabulário. Embora não sendo especialista na área, percebo que Gabriela apresenta “flacidez” na região facial e atraso na linguagem. A aluna apresenta ainda perda auditiva não acentuada e dificuldade no encadeamento de sons e palavras, o que dificulta seu processo de alfabetização. A proposta de trabalho com Gabriela será feita com os recursos de tecnologia assistiva e materiais pedagógicos disponíveis também nas Sala de Recursos Multifuncionais. Os contatos que tenho com Gabriela acontecem em minhas visitas à escola que ela freqüenta, o que significa que boa parte de meu conhecimento sobre a aluna vem do diálogo com sua professora da sala regular e com sua mãe. Para meu trabalho, procurei auxílio no livro Síndrome de Down – guia para pais e educadores de Siegfried M. Pueschel.
3. Tecnologia Assistiva escolhida
Selecionei como tecnologia assistiva no trabalho com Gabriela a ferramenta “Falador”. Embora na leitura de seu tutorial destaca-se o seu uso com deficientes visuais, o fato de apresentar uma boca que emite claramente os sons e os movimentos que emissão dos sons e palavras e a possibilidade de selecionar fonemas, palavras e frases significativas ao universo de Gabriela ele me pareceu perfeito para meus objetivos na realização desta atividade. Procurei um dia antes de realizar a atividade com Gabriela verificar os movimentos da boca na emissão dos fonemas que a ferramenta apresenta para facilitar minhas observações com a aluna.
4. Reflexão sobre a experiência:
Permanecemos na Sala de Recursos apenas eu e a aluna. Antes de iniciarmos o trabalho propriamente dito procurei deixar que Gabriela explorasse livremente o computador tendo como objetivo também uma maior interação entre nós. Notei que ela tem acesso ao computador devido a familiaridade que demonstrou na exploração livre. Tive dificuldade em compreender muitas palavras e frases que emitia o que em alguns momentos dificultou o trabalho. Apresentei o Falador esclarecendo que iríamos brincar de falar com uma boquinha. Ela riu ao observar a boca se movimentando. Coloquei a tela no modo ampliado o que permitiu que a boca aparecesse bem grande para Gabriela. Comecei colocando apenas fonemas, partindo de fonemas mais simples: PA, VA, CA, DA, BA, BE, PE, etc, partindo para fonemas mais complexos: CHA, LHA, BLA, PLA, etc.Ela entrou na brincadeira e repetia os fonemas a seu modo. Procurei acentuar o modo como o Falador repetia os fonemas. Percebi com o tempo que Gabriela foi se cansando de ficar repetindo os fonemas e procurei observar como ela emitia os fonemas e tentava imitar a emissão do Falador. Passei então a digitar palavras para sua repetição e observei que ela gostou mais deste exercício, rindo muitas vezes com a emissão de palavras significativas para ela: seu nome, o nome da professora, o nome de membros de sua família. Com o desenvolvimento da atividade notei que ela passou a querer somente ouvir as palavras e não mais repeti-las. Parti para digitação e emissão de frase simples procurando incluir uma ação e uma palavra, como havia lido no livro de Pueschel. EX; carro anda; menino joga; bebê chora; etc. E a seguir frase com o verbo no gerúndio. Ex: cachorro correndo; pipa voando; menina comendo. Fiquei em dúvida se ela conseguiu perceber a diferença nesta atividade da ação sem o apoio visual. Acredito que não e esta foi uma de minhas falhas que notei na execução do processo, pois este procedimento deveria ser aplicado de outra forma (realizando as atividades) ou com apoio visual. Percebi que após meia hora de exploração da ferramenta Gabriela já demonstrava sinais de cansaço e decidi encerrar propondo continuarmos em outro dia com a brincadeira.
b. Análise da produção do aluno:
Notei que Gabriela interagiu bem com a ferramenta. Imaginei que ela iria se cansar mais rapidamente devido ao fato da tela apresentar apenas uma boca, mas acho que este elemento foi inusitado para ela, acostumada a interagir com jogos e atividades no computador. Ela realizou a atividade como uma brincadeira e em minha mediação procurei explorar o lado lúdico na realização do trabalho.
c. Considerações Finais:
Considero que a atividade foi pertinente, pois noto que no trabalho com Gabriela em sala de aula exploração da linguagem fica ainda restrita a interação com os colegas (o que também é fundamental). A ferramenta Falador é um recurso diferente do uso de imagens que normalmente utilizamos, pois permite o aperfeiçoamento da oralidade. Houve uma dificuldade com o uso da ferramenta, pois não consegui evitar que se cortasse a primeira palavra no início das frases, o que demandou que eu acrescentasse na digitação da frase uma palavra a mais que seria “cortada” na emissão da ferramenta. Escolhi a voz feminina (por acreditar que inicialmente seria mais tranqüilo para ela) e a velocidade mais lenta da pronúncia para facilitar a apreensão por parte de Gabriela. Estava insegura quanto aos resultados, mas acredito que com a freqüência de sua execução renderá bons frutos. Como foi seu primeiro contato com a ferramenta ainda não é possível avaliar se houve ou haverá evolução em sua oralidade. Socializei com a professora da sala regular todos os procedimentos e agendamos um horário para que ela conheça a ferramenta.
Bibliografia:
Pueschel, Siegfried M.
Síndrome de Down- guia para pais e educadores.
Campinas. SP: Papirus, 1993.



